13 feminicídios em 2026; apenas uma das vítimas em Mato Grosso tinha medida protetiva
Os dados, atualizados até o dia 12 deste mês, mostram ainda que março concentrou cinco casos, o equivalente a quase 40% do total.
Um levantamento feito pelo Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), aponta que 11 das 13 vítimas de feminicídio registradas em 2026 não possuíam medida protetiva. Os dados, atualizados até o dia 12 deste mês, mostram ainda que março concentrou cinco casos, o equivalente a quase 40% do total.
O único caso em que a vítima tinha medida protetiva foi o da professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, morta a tiros, em fevereiro, em Cuiabá. O suspeito do crime é o ex-marido.
De acordo com o levantamento, o principal meio empregado nos crimes foi o uso de arma cortante ou perfurante, presente na maior parte das ocorrências.
O registro dos casos iniciou em janeiro, no dia 11, quando Laila Carolina Souza da Conceição, de 29 anos, foi encontrada morta com golpes de faca em sua residência em Nova Maringá (379 km de Cuiabá). A Polícia Civil prendeu o marido da vítima no local, onde um dos filhos do casal pediu socorro aos vizinhos.
A sequência de feminicídios prosseguiu em fevereiro com a morte de Ana Paula Lima Carvalho, de 48 anos, que faleceu no Hospital Municipal de Cuiabá após 24 dias de internação. Ela havia sido esfaqueada no dia 11 de janeiro, em Chapada dos Guimarães (70 km de Cuiabá), por um homem de 30 anos, ex-genro dela.
No mesmo mês, a professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, foi morta a tiros pelo ex-marido Paulo Neves Bispo, de 61 anos, que invadiu a casa no Bairro Osmar Cabral enquanto a vítima tomava café. O autor tentou atingir a filha do casal, que se trancou em um quarto, e morreu em seguida após ser baleado por um policial militar de folga durante a perseguição.
Ainda em fevereiro, em Lucas do Rio Verde (330 km de Cuiabá), Jaqueline de Araújo dos Santos, de 40 anos, foi morta pelo marido enquanto ligava para a Polícia Militar. Os agentes encontraram o autor do crime sentado ao lado do corpo, onde ele confessou e relatou que o casal havia reatado a convivência cinco dias antes do fato.
Em março, Gabia Socorro da Silva, de 38 anos, foi morta a facadas no dia 10 em São José do Xingu (953 km de Cuiabá) pelo marido, Lourival Lucena Pinto Filho. O corpo dele foi encontrado enterrado em uma cova rasa na região da Vila Pé de Galinha, no distrito de Santo Antônio do Fontoura, três dias após ele ter sido sequestrado pelos filhos da vítima.
Na capital, no dia 11 de março, a adolescente Estefane Pereira Soares, de 17 anos, foi morta e desovada em um córrego no bairro Três Barras com uma pedra sobre as costas para impedir a flutuação. A polícia prendeu Marcos Pereira Soares, irmão dela, como autor do feminicídio.
Esse mês registrou ainda a morte de Simone da Silva Matiuzi, de 35 anos, no dia 12, que morreu no hospital, ao ser socorrida em estado de inconsciência depois de ser atropelada sucessivas vezes pelo namorado em Vila Bela da Santíssima Trindade (522 km de Cuiabá).
Na sequência, Nathaly Gonçalves dos Santos, de 19 anos, morreu em Itaúba (580 km de Cuiabá) após o condutor de uma caminhonete, identificado como Emanuel, invadir a pista contrária da BR-163 e colidir contra uma carreta. A Polícia Civil informou que o homem atropelou a jovem, colocou-a no banco traseiro do veículo e seguiu para a rodovia, resultando na colisão que causou a morte de ambos.
Em Rondonópolis (215 km de Cuiabá), no dia 26, Luiza Regina Oliveira Zanoni, de 29 anos, foi morta a facadas pelo ex-companheiro no bairro Pedra 90 após uma discussão sobre o término da relação, seguida por uma tentativa de suicídio do autor.
A continuidade dos registros em abril incluiu a morte de Márcia Gaston da Silva, de 50 anos, esfaqueada pelo marido, Jeferson Fernandes da Silva, de 35 anos, em um sítio na zona rural de Brasnorte (580 km de Cuiabá) no dia 6. Neste caso, o autor do crime fugiu do local.
Na sequência, no dia 9, Raissa Pereira da Silva, de 24 anos, foi encontrada morta em seu quarto em Sinop (480 km de Cuiabá), com uma toalha enrolada ao pescoço. Câmeras de segurança registraram a entrada de Rafael Pendloski Torres Galvão, de 20 anos, que confessou o estrangulamento sob efeito de substâncias.
Por fim, o caso de Julia Vitória do Prado da Silva, de 20 anos, morta em Tapurah (428 km de Cuiabá) no dia 10 por Alair Ferreira de Lima, de 75 anos, que utilizou um facão e um pé-de-cabra no ataque e contou com auxílio de um homem de 66 anos para transportar o corpo dentro de uma bolsa no porta-malas de um veículo.




COMENTÁRIOS